Entrevista: Lu Piras

sábado, janeiro 07, 2012

Oi, gente! Hoje, no dia do leitor, nada melhor do que conhecer um livro nacional e a autora do mesmo. Um bom dia também para apoiar a leitura, principalmente dos livros nacional. Vamos conhecer o livro da Lu Piras, Equinócio, o primeiro livro de uma quadrilogia.


A cidade do Rio de Janeiro é o pano de fundo onde a estudante de medicina Clara vive sua rotina diária com a família e amigos. O que ela não imaginava é que tudo o que acreditava estivesse prestes a mudar, com a visita inusitada de um anjo. As força do mal ameaçam escravizar a raça humana e, para impedir, o anjo da guarda Nath-Aniel (Nate) vem à Terra, disfarçado de humano, para alertar sua protegida Clara de que sua vida está em risco. Proibido de agir em nome dos humanos e alterar seus destinos, o anjo acaba por se envolver demasiado quando revela a Clara que o pai dela, um renomado cientista, é o responsável pela descoberta que despertou as forças do mal: a fórmula da perpetuação da vida humana (criônica). Toda a missão da legião de anjos celestiais é colocada em risco quando Nate e Clara se apaixonam. 


Entrevista

Epílogos e Finais: Quando surgiu a ideia para escrever Equinócio e quanto tempo levou para que ele estivesse pronto?
Lu Piras: A ideia surgiu numa livraria. Não podia ser lugar mais propício para boas inspirações! Eu estava passeando entre os corredores de arte quando a capa de um livro enorme me chamou atenção. Era a imagem da escultura de Eros e Psiquê, de Antônio Canova. Eu conhecia, mas foi como se tivesse visto pela primeira vez, como se aquela imagem provocasse todos os meus sentidos. Eu peguei o celular na bolsa e comecei a anotar algumas ideias. Quando cheguei em casa naquele dia, tudo começou.
O primeiro livro, Equinócio, levou cerca de 2 a 3 meses.  Já o processo de revisão, bom... esse levou mais. Só depois que conclui os quatro volumes da série é que consegui voltar para o primeiro e revisá-lo.

EF: Qual a maior dificuldade de publicar um livro?
LP: Até a publicação, acredito que a maior dificuldade seja ganhar a confiança da Editora. Isso é complicado por que o investimento na produção e todo o processo de publicação são muito altos, consequentemente envolvem muitos riscos. É preciso que o autor trabalhe arduamente para que a editora preste atenção nele. Além de talento, é preciso persistência e muita disposição. Os editores têm muito trabalho sobre a mesa e não conseguem ler e avaliar tudo o que recebem de originais. Por isso, o autor tem que aparecer! A divulgação do livro junto aos blogs literários, mesmo antes da publicação, tem se mostrado uma ferramenta bem eficaz para mim. Tenho usado muito as redes sociais (Twitter, facebook, Google +, YouTube e o próprio blog) para atrair atenções e saber a opinião das pessoas. Os resultados têm sido excelentes e eu não podia estar mais feliz. Depois da publicação, aí são outros 500.

EF:  Você sempre escreveu por ser um hobby ou já sonhava em publicar algum livro?
LP: No começo, lá nos anos de 1995, com quinze anos, eu pensava que escrever era um hobby. Eu ainda não sabia ainda qual seria a minha profissão (e ainda hoje tenho dúvidas!), mas naquele tempo eu realmente não sabia que a relação que eu tinha com a máquina de escrever era mais do que uma paixão; era uma vocação. Com 18, comecei a faculdade de direito. Com 23 eu me casei. Só agora, depois de escolher vários caminhos divergentes, é que eu realmente decidi me dedicar à escrita e publicar um livro.

EF: Qual a sua inspiração para criar personagens?
LP: Nós somos a inspiração. As experiências, as notícias, os ambientes que me rodeiam são a inspiração. Tudo o que vejo e ouço. Sempre fui muito observadora. Sou calada e tímida. Talvez por isso, veja muito, às vezes até além do olhar, além das aparências.

EF: Percebi que você criou uma playlist (muito linda por sinal) para o livro. A música tem grande influência no seu trabalho?
LP: Obrigada! Nossa, a música tem muita influência mesmo. Eu adoro música e sou capaz de passar o dia todo sem tirar os fones do ouvido. Aqui no Rio de Janeiro, acho que todo mundo sabe, perdem-se muitas horas em engarrafamentos. Eu me acostumei a ouvir música por isso. E durante as longas viagens nos transportes, eu me isolava na minha própria viagem interior, lá pelos becos iluminados da minha imaginação, sempre bem acompanhada nas minhas bandas favoritas e, inevitavelmente, acabava por estacionar no mundo de Equinócio. Imaginava as cenas já escritas e suas continuações, lembrando o que determinado personagem podia fazer nesta ou naquela situação. E lá estava o celular para me socorrer quando as ideias surgiam e eu precisava anotar para não esquecer! E lá estava a música como trilha sonora da minha imaginação!


EF: A capa de Equinócio é muito parecida com a de Crepúsculo. Existe alguma ligação entre as duas histórias?
LP: Sim e não. A ideia principal da capa de Equinócio é o buquê de jasmins. Quem ler Equinócio saberá a importância dessas flores na história. São flores perecíveis e muito frágeis, como a protagonista extremamente humana da história, Clara.
As mãos em concha remetem à capa de Crepúsculo e a ideia é justamente esta. A conexão com Crepúsculo não é ao acaso, nem é um mero artifício. A uma inspiração em comum em Crepúsculo e Equinócio, algo que eu absorvi de Crepúsculo enquanto escrevia Equinócio. O amor. O amor que por ser proibido é mais tentador. O amor que por não ter limites, ultrapassa fronteiras e vence barreiras. Um amor que para vencer, demanda que se abdique de algo. No caso de Crepúsculo, Bella abdica de sua mortalidade. No caso de Nate, ele precisa abdicar de sua imortalidade. Enquanto a protagonista de Crepúsculo está disposta a perder sua característica humana pelo amor a um vampiro, o protagonista anjo de Equinócio está disposto a perder sua característica celestial por amor a humana Clara. Assim, no lugar da maçã (o fruto proibido) de Crepúsculo, um buquê de jasmim é oferecido, simbolizando a pureza. Não se trata de uma escolha entre o bem e o mal (como a da protagonista de Crepúsculo), mas da representação da própria origem do vínculo dos protagonistas. O objetivo das mãos em concha em Equinócio não é ter em mãos um fruto proibido. É oferecer algo; por isso, o gesto lembra um buquê. Nate, como anjo da guarda, oferece proteção, cuidado, paz, conforto, à sua protegida Clara. Ele é o guardião de sua vida, tão frágil e perene diante de sua forte e infinita existência. Existe, portanto, uma conexão proposital com Crepúsculo apenas no que tange à inspiração na forma como foi construído o amor entre os protagonistas. Todavia, há uma diferença imensa nas duas formas de amar. Bella ama o perigo. Clara ama o divino. Mas enquanto Bella se entrega facilmente ao sentimento por Edward, mesmo sabendo dos riscos do envolvimento com ele, Clara reluta em entregar-se e em assumir o que sente por seu guardião. A ideia de Nate como um ser sagrado a faz ponderar, embora ela nunca tivesse de fato força de vontade para negar o que sentia. O dilema de amar o proibido está presente nos dois livros, embora de forma distinta. 

EF: Por que anjos?
LP: Eu adoro o tema sobrenatural. Acredito que minha inspiração para escrever Equinócio não tenha surgido ao acaso. Os anjos podem ter dado uma mãozinha! Rsrsrsrs. Quando eu vi a capa daquele livro de esculturas, Eros e Psiquê, eu vi aquele deus com asas e achei aquela cena tão angelical e tão romântica que quis entrelaçar essas ideias e transferir para o papel, em palavras, como deveria ser para uma humana, mortal, a sensação de ser amparada por um ser celestial, imortal.

EF: Quais os seus autores nacionais e internacionais preferidos? E quais são seus livros favoritos?
LP: Machado de Assis, Jorge Amado, Clarice Lispector (que considero tão brasileira quanto estrangeira!) e Cecília Meireles estão entre os meus nacionais preferidos. Fernando Pessoa, Ernest Hemingway e Jane Austin estão entre os internacionais que mais aprecio. Eu tenho muitos favoritos e a maioria são clássicos. Mas o meu favorito de todos é o mais clássico de todos: Romeu e Julieta, de Shakespeare. A primeira vez que li foi uma versão em inglês arcaico e eu fiquei completamente apaixonada pela linguagem (não só pela história, já que não entendi nada!). Depois, é claro, eu li de novo, traduzido, e comecei a entender tudo, rsrsrsrsr. E, então, passei a gostar ainda mais.

EF: Obrigada pela entrevista, Lu e boa sorte com seu livro! Gostaria de dar algum recado para os leitores do Epílogos e Finais?
LP: Eu não tenho palavras para agradecer a ajuda preciosa que o blog Epílogos e Finais está dando para que Equinócio seja publicado o mais rápido possível.
Se você que acabou de ler essa entrevista e é seguidor deste blog gostou de conhecer um pouco mais sobre o livro, então junte-se a mim na campanha pela publicação. Visite o blog do livro, o site, curta a página de Equinócio no Facebook, me adicione no Twitter, no Google +,  se inscreva no meu canal do Youtube e assine a petição online.
Os links para isso tudo você encontra lá no blog (www.equinocioaprimavera.blogspot.com) e encontra também o primeiro capítulo do livro para degustar. Bom, e se você não é seguidor do Epílogos e Finais, então, siga este blog agora! Além de muito dinâmico e atualizado, ele apóia a literatura nacional e merece também o nosso apoio. 

Muito obrigada, Lu! Torço muito por você e que Equinócio seja lançado logo, e eu possa matar a minha curiosidade. Boa sorte!

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13 comentários

  1. Oi Bianca!

    Estou muito feliz com a nossa parceria. A entrevista ficou ótima. Eu adorei responder cada pergunta!
    Desejo muito sucesso ao blog e a você, tão querida!
    Tenho plena confiança que este ano de 2012 será decisivo para Equinócio ganhar muitos lares. :)

    Beijocas,

    Lu (autora de Equinócio e parceira)

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  2. Oi Bianca!
    Acabei de ler a entrevista lá no blog da Lu :D

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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  3. A Lu é muito fofa mesmo, adorei a entrevista *---*

    Beijos
    aritmeticadasletras.blogspot.com

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  4. A primeira coisa que me veio a cabeça ao ver a capa foi que ela lembrava extremamente a de Crepusculo. Só depois lendo a entrevista que vi a relação e autora descreveu super bem essa inspiração. Confesso que não sou muito fã do clima sobrenatural, mas algumas estórias conquistam por causa da escrita excepcional de autores e esse parece ser o caso de Equinócio!

    Beijos

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  5. Parabéns pela entrevista! Ficou ótima!
    Adoro livros sobrenaturais e esse parece ser bem interessante.Fiquei curiosa.
    Beijos.

    Books e Desenhos

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  6. Eu já li sobre o livro e fiquei MEEEEEGA curiosa!
    Adorei a entrevista! :D
    Beijos,K.
    Girl Spoiled

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  7. Parabéns pela entrevista! Adorei. :D
    É, as vezes tomamos caminhos diferentes na vida, mas sempre acabamos naquilo que amamos, não é? Acho que o destino é assim.

    Um beijo,
    Luara - @luuara
    http://estantevertical.blogspot.com/

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  8. Segunda entrevista com a Lu que leio hoje *-* E como disse no outro blog, repito aqui: estou doida pra ler Equinócio.

    Bjs,
    Kel
    www.itcultura.com

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  9. Hey (:
    Queridíssima ela, não é? Adorei a entrevista, muito bacana. Tomara que ela consiga que publiquem o livro, fiquei curiosa para ler :D

    Beijos, Vanessa.
    This Adorable Thing

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  10. Eu li a entrevista lá no blog da Lu, adoreeeeeei as perguntas. Principalmente a que ela responde sobre a inspiração do livro, como surgiu a idéia. Achei o máximo *-* beijones,

    Rachel Lima
    http://corujando.org/

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  11. A Lu é uma fofa!

    Tomara que dê tudo certo pra ela :)

    Beijocas

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  12. a sinopse do livro fez ele parecer meio clichê, mas eu adorei a entrevista é sempre bom saber como os autores nacionais se empenham, eu mema quero ser escritora mas ainda tenho muito caminho a percorrer =)

    http://himi-tsu.blogspot.com/

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  13. Já vi umas 2 ou 3 entrevistas com a Lu, ela é simplesmente demais! Equinócio merece todo sucesso do mundo!

    Um beijão,
    Pronome Interrogativo.
    http://www.pronomeinterrogativo.com

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